sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma fuga as chatices das REgras sociais.


Deixando de lado todas as polêmicas pessoais da vida do diretor Roman Polanski (o mesmo de "Chinatown" e "O Pianista"), é criado “O Deus da carnificina”, uma comédia negra de altíssimo nível dramático sobre as aparências e seus enganos, filmada com uma destreza exemplar, a partir de uma obra para teatro da dramaturga francesa, conjuntamente com as brilhantes atuações de Kate Winslet, Jodie Foster, John C. Reilly e Christoph Waltz.

O encontro entre os dois casais "civilizados" vai se degenerar, partindo para a "carnificina" do título.
O interesse encontra-se, portanto, na progressão certeira e inevitável rumo ao caos.

É ótimo ver os personagens se desenvolvendo aos poucos, deixando cair as máscaras, tanto para a mulher de esquerda, ideológica (Jodie Foster) quanto para o capitalista cínico, feroz (Christoph Waltz).

Em uma estrutura que não larga seus personagens em momento algum, os atores são indispensáveis - a escolha do elenco foi excelente neste caso. Se Christoph Waltz e Kate Winslet não têm mais nada a provar para ninguém, há muito tempo não se via Jodie Foster tão bem em cena, ou John C. Reilly em um papel que fugisse do homem passivo e pouco inteligente.
A diversão do espectador encontra-se em sua posição cômoda diante da catástrofe alheia, que ele pode testemunhar como um voyeur, sem implicação. Em minha opinião, se o filme faz críticas à burguesia, ele não pretende ser um tratado sobre a falência dos valores humanos, apenas um cutucão cômico e leve sobre as hipocrisias sociais. Quando as interações pegam fogo, e as bocas começam a despejar com a mesma intensidade insultos e simbólicos vômitos, resta o prazer de ver até onde a “brincadeira” de ser autêntico pode ir.

Em um mundo adulto tão condicionado por regras sociais, é uma "delícia" ver quatro pessoas "perfeitamente" educadas rebaixando-se e dizendo em voz alta aquilo que muitos outros pensam, mas não ousam falar, por "n" motivos. Um cinema-catarse e uma psicanálise da classe média-alta na medida certa para a projeção de culpas e desejos escondidos sob o véu de um moralismo hipócrita que impera em nossa sociedade.