Quem nunca se sentiu mal diante de uma situação que lhe despertou uma sensação de medo ou até mesmo pavor? Todos nós temos nossos receios e zonas de insegurança, porém, em alguns momentos ,essas emoções dominam de tal forma que fazem os indivíduos recuar, parcialmente ou completamente, diante de alguma situação.
Como toda emoção, ao “tentarmos” racionalizar ou somente pontuar alguns aspectos, entramos em âmbitos do subjetivo, do intangível e é exatamente aqui que as coisas começam a sair do controle.
Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos de todos os tempos na área de mitologia, faz um comparativo muito interessante entre o significado dos dragões e o medo. Primeiramente, ele descreve a diferença entre um dragão positivo, aquele que na mitologia chinesa traz abundância e vitalidade dos pântanos e o dragão negativo, aquele que está dentro de cada um de nós, limitando nossas ações.
Dessa forma, quando você pensa:
“Oh... eu não consigo fazer isso ou aquilo”, é o seu dragão que o está bloqueando.
Mas como surge o medo?
Além dos perigos reais, nossos temores podem aparecer por conta das associações que fazemos ao longo da vida. Por exemplo, uma criança, que viu seus pais passarem por uma queda brusca em sua condição financeira, pode desenvolver uma relação extremista para ambos os lados, tornando-se controladora em excesso ou até mesmo desenvolvendo uma ambição capaz de passar pela frente de quem quer que seja para alcançar seus objetivos.
Em um outro formato pode-se simplificar da seguinte forma: através da exibição ou mera suposição de um estímulo central, são disparadas em nosso cérebro mensagens que provocam comportamentos negativos e/ou estagnantes diante deste.
Para encontrarmos uma libertação para essa emoção, é necessário investigar a fundo os reais motivos para o surgimento dos pensamentos que causaram e que reforçam esse medo, porém, quando falamos isso, no consultório, uma das primeiras idéias trazida pelos pacientes é: ” Eu não irei conseguir me libertar desse medo, ele já faz parte de meu ser”. Pensando isso, é como se essas palavras soassem como um eco dentro da mente, apenas com mensagens negativas que não permitem sequer o vislumbrar de uma solução, da mesma forma, querer fórmulas mágicas e resultados imediatos é justamente escolher o caminho mais fácil, que é desistir e dar vazão ao medo. Se pensarmos bem, é mais ou menos como os fantasmas que algumas crianças tem absoluta certeza que estão vendo, o problema é que, nesse caso, muitas das vezes as luzes que devem ser acessas estão cobertas por densas camadas.
Existem técnicas cognitivas comportamentais de exposição paliativa ao medo que são muito eficazes no seu combate, pois essas, dentre outras funções, se propõem a favorecer a racionalização dessa sensação. Perguntas que favorecem esse trabalho são: “Quais pensamentos estão me condicionando a pensar dessa forma? Houve algum evento marcante que suponho ter sido o responsável pelo início deste medo? Quais são os riscos que realmente corro ao me expor a dada situação?”
Na maioria das vezes, o enfrentamento exige muito esforço, mas algo importante a citar é: procure ser flexível consigo, vá devagar, afinal, essa sensação negativa pode ter sido criada em segundos, mas foi capaz de se abrigar em locais tão obscuros da mente que só, com muita paciência, coragem e ajuda, poderá ser vencido.
Procure descobrir o que esse medo simboliza para você, qual sua representação, pois, quanto mais o negamos, mais poderoso ele se torna. Encontre formas para explorar e até mesmo desafiar seu medo, descubra o que está por trás dele para aproveitar cada vez mais seu dia.
Segue abaixo um vídeo curto que sintetiza, um pouco, as palavras usadas.

