Você
já parou para pensar por que gosta mais de cachorro ou gato? Por que se
"identifica" mais com Garfield ou Odie? Segundo o professor Carlos C.
Alberts, a diferença de comportamento dos dois animais pode explicar essa
preferência. “O cachorro vê o ser humano como um líder. Em uma matilha, todos
os cães querem agradar o líder, o veneram e são condicionados a ele”, comenta.
Geralmente, uma pessoa que não se incomode com essa relação de dependência se
dará melhor com um cão.
Para
quem perdeu a capacidade de se locomover, seja por aspectos físicos ou por
outros motivos, estar perto de um animal é como se realizar através dele.
Quando essa pessoa vê um cachorro brincando e correndo livre, tem a oportunidade
de projetar-se nele e por alguns instantes é como se o animal pudesse ser uma
extensão sua.
Além
de proporcionar bem-estar psicológico, os animais também podem ajudar os seres
humanos de formas surpreendentes. Em uma prisão de segurança máxima nos Estados
Unidos, gatos são oferecidos a presos e, segundo vários depoimentos,
"devolvem"sensações como calma e situações como troca afetiva e
companhia a pessoas em condições de descrença social. Pesquisas recentes também
comprovaram que cães ajudam a detectar cânceres precoces. Por seu olfato
apurado, os cachorros descobrem a doença pelo cheiro alterado das pessoas que
apenas eles conseguem sentir. Existem também diversas iniciativas espalhados
pelo mundo todo que buscam o aproveitamento dessa relação. O Projeto Segunda
Chance, que visa o adestramento e ressocialização dos animais que vivem em um
abrigo mantido pela instituição, buscam, além da oportunidade de ganhar um novo
lar, uma alternativa para deficientes auditivos. O cão, entre outras habilidades,
é treinado para reconhecer o barulho da campainha, do alarme de incêndio, o
choro de uma criança e avisar, imediatamente, com apenas um toque de umas de
suas patas, seu companheiro humano que não pode ouvir. Mas é importante
ficarmos atentos a exageros que levam à dependência do proprietário com o seu
animal, ou seja, o animal vira o centro da vida da pessoa e seus desejos passam
a ser prioridades. Muitas vezes as pessoas se isolam, negando-se a
relacionar-se com outros seres humanos em função de diversos aspectos, como por
exemplo uma frustração amorosa, traição, morte de um ente querido e a partir
disso, pode vir a acreditar que ninguém mais é digno de confiança e dedicação,
desenvolvendo então um relação doentia com seus animais de estimação.
Segundo
a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de
Estimação), até o fim do ano teremos 37,1 milhões de cachorros e 21,4 milhões
de gatos espalhados pelo país e caso ainda haja alguma dúvida sobre o impacto
desse expressivo número é só andar pelas ruas para se deparar com imensas
franquias de pet shops. Banhos, consultas, roupinhas, carrinhos para passeio
estão quase se tornando itens obrigatórios no planejamento financeiro de muitas
famílias, a ponto de o animal ser mais bem tratado que muitas pessoas.
Para
o bichinho, os excessos de "humanizações" também não são positivos,
afinal eles apesar de domesticados pelo anos e anos de convívio com o humano
ainda conservam em seu DNA uma semelhança incrível com seus parentes distantes,
os lobos. Você sabia que o DNA de um cachorro carrega uma semelhança de
aproximadamente 90% do dna de um lobo selvagem?
Agora
faça uma reflexão se há realmente sentido em favorecer a dependência de seus
animais. Pergunte-se como se sentiria se ficasse o dia todo esperando ao lado
da porta de entrada alguém retornar após horas e horas? Pois então,
independente de traumas passados, você precisa confiar, aproveitar também do
contato com outro humano e eles precisam ser vistos como animais e respeitados
como tal. Precisam de opções para ficarem felizes também sozinhos (deixar ao
alcance deles brinquedos a que na sua companhia não têm acesso pode ser uma boa
opção), precisam se sujar, farejar, rolar em uma grama molhada, estar em
contato com outros animais, para conservarem suas raízes.
Pense
nisso e você sentirá o benefício dessa mudança de pensamento.
