terça-feira, 27 de novembro de 2012

REveja seus costumes.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir totalmente as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, o ar, a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não conseguimos almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: Hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. A ganhar menos do que precisa. A fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que se as coisas continuarem como estão, talvez iremos pagar mais e mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colasanti)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma fuga as chatices das REgras sociais.


Deixando de lado todas as polêmicas pessoais da vida do diretor Roman Polanski (o mesmo de "Chinatown" e "O Pianista"), é criado “O Deus da carnificina”, uma comédia negra de altíssimo nível dramático sobre as aparências e seus enganos, filmada com uma destreza exemplar, a partir de uma obra para teatro da dramaturga francesa, conjuntamente com as brilhantes atuações de Kate Winslet, Jodie Foster, John C. Reilly e Christoph Waltz.

O encontro entre os dois casais "civilizados" vai se degenerar, partindo para a "carnificina" do título.
O interesse encontra-se, portanto, na progressão certeira e inevitável rumo ao caos.

É ótimo ver os personagens se desenvolvendo aos poucos, deixando cair as máscaras, tanto para a mulher de esquerda, ideológica (Jodie Foster) quanto para o capitalista cínico, feroz (Christoph Waltz).

Em uma estrutura que não larga seus personagens em momento algum, os atores são indispensáveis - a escolha do elenco foi excelente neste caso. Se Christoph Waltz e Kate Winslet não têm mais nada a provar para ninguém, há muito tempo não se via Jodie Foster tão bem em cena, ou John C. Reilly em um papel que fugisse do homem passivo e pouco inteligente.
A diversão do espectador encontra-se em sua posição cômoda diante da catástrofe alheia, que ele pode testemunhar como um voyeur, sem implicação. Em minha opinião, se o filme faz críticas à burguesia, ele não pretende ser um tratado sobre a falência dos valores humanos, apenas um cutucão cômico e leve sobre as hipocrisias sociais. Quando as interações pegam fogo, e as bocas começam a despejar com a mesma intensidade insultos e simbólicos vômitos, resta o prazer de ver até onde a “brincadeira” de ser autêntico pode ir.

Em um mundo adulto tão condicionado por regras sociais, é uma "delícia" ver quatro pessoas "perfeitamente" educadas rebaixando-se e dizendo em voz alta aquilo que muitos outros pensam, mas não ousam falar, por "n" motivos. Um cinema-catarse e uma psicanálise da classe média-alta na medida certa para a projeção de culpas e desejos escondidos sob o véu de um moralismo hipócrita que impera em nossa sociedade.


domingo, 6 de maio de 2012

o início do tempo das REnúncias.

Certa vez, uma grande mestra me disse que existe um tempo em que somos praticamente regidos pelos nossos hormônios! Acredito que este tempo é principalmente o da adolescência! Hormônios em verdadeira ebulição e transformação! Mas quem, ou o quê, rege os hormônios? O cérebro? A mente? As emoções? Ou será o inverso?
Quando adolescente, Já não somos mais crianças, portanto, novas perguntas existenciais começam a fazer parte de nosso dia a dia, como por exemplo:
  • Qual é o verdadeiro sentido de minha vida?
  • Á serviço do quê ou de quem vivo?
  • A quem e por que devo obedecer?
  • Quem são meus verdadeiros amigos e o que é uma verdadeira amizade?
  • Quem são meus pais e porque eles também erram?
  • Como posso estar em mais um lugar ao mesmo tempo?
  • O que é o tempo?
  • O que é ter sucesso?
  • O que quero estudar na faculdade ou ser quando crescer?
  • Será que acredito em Deus?
  • Quem ou o que é Deus?
  • E a morte?
  • O que acontece depois e para onde vamos?
São muitas perguntas que o adolescente se faz ao mesmo tempo em que o impulso de viver o momento presente herdado e aprendido na infância permanece com muita força!
A busca é desenfreada, impulsionada por uma energia única, de querer explorar e viver a vida em seus extremos, em todas as suas dimensões! Na adolescência, as feridas da infância tomam conta ou, ao contrário, ficam engavetadas para que novas perguntas possam ser feitas e vivenciadas.

Quem não consegue fazer escolhas não cresce. Segue a vida se deixando levar por escolhas alheias e não aprende a lidar com as frustrações tão necessárias ao nosso crescimento e aprendizado.

O tempo e o espaço da infância recebem o peso da necessidade de tomadas de decisões que não faziam parte do mundo das crianças. Tomar decisões é uma das coisas mais difíceis para a criança, para os adolescentes e, também, para nós, adultos. Tomar decisões implica em fazer renúncias, coisas que para a criança é muito mais difícil se ela não for educada desde cedo a isto.
O livre-arbítrio é uma das grandes sabedorias da vida, pois é através das nossas escolhas e da maneira como fazemos nossas escolhas que podemos conhecer melhor quem somos, nossas sombras e luzes e aprender a crescer com coragem e força. Quem não consegue fazer escolhas não cresce. Segue a vida se deixando levar por escolhas alheias e não aprende a lidar com as frustrações tão necessárias ao nosso crescimento e aprendizado.
Aprender a fazer escolhas é viver a relação entre tempo & espaço de uma maneira inteira, integrada. Para fazermos escolhas é fundamental que possamos viver o momento presente, levando em conta nosso passado e sem nos deixarmos iludir pelas projeções do futuro. Quando fazemos escolhas, qualquer uma, fazemos a partir daquilo que sentimos e percebemos hoje!
Na medida em que somos apegados às coisas e não queremos perder ou errar, fazer escolhas torna-se muito mais difícil.

COMO ESCUTAR O CORAÇÃO E A ALMA? O QUE É ISTO? DE QUE JEITO PERCEBEMOS
QUANDO UMA ESCOLHA NASCE NO CORAÇÃO?

É muito importante que pais e adultos ajudem os jovens a aprender a escolher e para isto é fundamental que eles possam se permitir (e serem permitidos!) a errar. Escolher implica em riscos, renúncias e frustrações, assim como implica em coragem, conquistas e alegrias. É sempre uma sensação muito boa quando sentimos ter escolhido a coisa certa, na hora certa e no caminho certo. Mas o que é o certo? Será que existe o certo ou apenas aquilo que foi escolhido?
Quando somos jovens, queremos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, estar com muita gente ao mesmo tempo. Ou, escolhemos nos esconder nos livros, no computador, nas fantasias e no silêncio de nossos quartos e casas. Escolher enfrentar o mundo, os desafios da vida, dos relacionamentos, modelos de sucesso e realização, muitas vezes são assustadores e ameaçadores quando somos jovens.
Escolher não ceder a preguiça e ao desânimo também nos exige coragem, força e determinação. A preguiça é o disfarce que usamos quando estamos confusos ou com receio de nossas escolhas. A preguiça é um poderoso disfarce e se não reagimos a ela, torna-se vicio! E assim como todos os vícios, vai ficando cada vez mais difícil e trabalhoso largar!
Escolher nossa imagem ou o melhor jeito de nos apresentarmos ao mundo, também não é fácil. Nossos pais foram ou são modelos a serem seguidos, repetidos ou transgredidos, mas sempre são modelos. Gostando ou não, nossa tendência é repetir. A partir daquilo que conhecemos e vemos em nossas infâncias, criamos crenças sobre o que é o melhor, o que é ter sucesso, o que é ser aceito e amado e a partir daí, vamos criando nossas imagens.
Quando somos adolescentes, podemos testar algumas imagens, mesmo sem nos darmos conta de quem estamos repetindo ou idealizando. Mas existe aquele modelo... Aquele determinado modelo que no fundo acreditamos ser o que mais chama a atenção. Adoramos chamar a atenção, de um jeito ou de outro. Somos todos carentes de atenção, de alguma maneira! Muitas vezes nos acostumamos com a falta de atenção.
Todos nós somos carentes de afeto e buscamos reconhecimento, validação e atenção. Muitas vezes, para termos a ilusão da atenção, buscamos imagens estranhas, transgressoras, fora dos padrões. Outras vezes buscamos nos sobressair intelectualmente ou artisticamente. Mas necessitamos sentir que podemos ser vistos e valorizados. Escolhemos o tempo inteiro, mesmo que pudéssemos escolher com mais confiança e consciência. Escolhemos desde o momento em que acordamos até o momento de dormir.
Escolhemos construir uma vida amorosa, criativa e fértil, assim como podemos escolher uma vida destrutiva e vazia. Escolhemos a partir de nossas luzes e sombras, saúde e feridas.
Escolhemos com consciência e escolhemos na inconsciência. Mas escolhemos!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

os REforços do machismo.



Para mim, a grande magia do cinema é conseguir expor os expectadores a diferentes emoções em um curto espaço de tempo. É como se, por algumas horas, pudéssemos sair dessa realidade e experimentar sentimentos que, em outros momentos, continuariam guardados dentro de nossas “caixinhas” internas.

Ao assistir o bem feito “A fonte das mulheres”, do mesmo diretor de “O concerto”,  vi-me cercada por diferentes emoções e mesmo que a mais freqüente tenha sido a raiva por todos aqueles que se negavam a aceitar a quebra de uma tradição milenar, por outro lado questionei-me sobre de onde vem todos aqueles reforços que nós, mulheres ajudamos a construir, dia após dia, na mente do diferente sexo?

Desde que o mundo é mundo, as mulheres usam de sua inteligência, talentos, sutileza e encantos para conseguirem seus espaços, mas penso que algumas ainda se aproveitam, além da conta, de todos esses ingredientes que, de maneira inconsciente ou não, reforçam os pensamentos machistas de que ainda somos rodeados.
Como gerar e cobrar mudanças se nós, mulheres, não nos apropriamos de nossos direitos e deveres?

Espero não me soar moralista, pois, na verdade, o que sinto ao escrever essas palavras é um profundo sentimento de nostalgia por um tempo que não vivi, mas que ouço nas músicas de Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e muitos outros. Ali, as mulheres ainda são chamadas de “Pequenas”. E mesmo que alguns falem que essa maneira nos coloca no diminutivo da vida, penso que esses homens se referiam, na verdade, à sutileza, sensibilidade, doçura e principalmente à força, que ainda se encontram, mesmo que muitas vezes escondidas, nos olhos de cada mulher.

Termino esse post com um trecho que extraí do filme:
“Não se deve admitir a derrota
O infinitivamente pequeno pode crescer
Às vezes tão majestosamente do que tudo que parece grande
A água, o frescor, a vida, mesmo o amor podem irromper a qualquer momento.”

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

as REvelações do inconsciente.



Na última quinta-feira, fui assistir a um espetáculo multimídia que une em um só espaço: teatro, dança, vídeo, canto, pantomima e projeções de pinturas do Museu de Imagens do Inconsciente. Tratava-se da peça tão aguardada por mim – Nise da Silveira – Senhora das Imagens.

Da mesma forma que, para chegarmos a alma de um paciente, é preciso, antes de tudo, passar pelas turvas águas do inconsciente, somos expostos desde que entramos na sala a gelo seco o que, para mim, simbolizou claramente esse “compartimento” na psique humana.

Para quem não conhece a formidável personalidade daquela que inspira a peça, é possível, através da BRILHANTE atuação de Mariana de Oliveira Infante, ser apresentado a aspectos pessoais e profissionais de Nise - uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no nosso país. Em uma época em que mulheres não eram aceitas para quase nada que não fossem assuntos do lar, essa, simplesmente por estar lendo um livro comunista, foi mantida na prisão por quase dois anos. Revolta-se contra os métodos de cura do sistema psiquiátrico (como a lobotomia e eletrochoques) e instaura em um hospital público do RJ um espaço que chamava de "Ilha do Amor", com ateliês de pintura, desenho, modelagem e oficinas de jardinagem e bordado. Desse modo, revolucionou a psiquiatria convencional, possibilitando que seus ‘camafeus’ (como se referia aos pacientes) conseguissem reatar vínculos com a realidade, através de expressões criativas e simbólicas. Contrariando a expressiva maioria, dedicou-se a resgatar o ser humano que existia dentro de cada interno em tratamento.

Como tudo que é feito com amor vai adiante, as peças que eram criadas pelos internos tiveram repercussões mundiais. Os mais importantes museus de arte moderna abriram seus salões para artistas de que nunca se ouvira falar. Muitos críticos assinalaram que essas exposições revelavam pintores que, apesar de desconhecidos, deveriam desde já ser considerados entre os maiores artistas brasileiros do século. E o que mais intrigava é que por trás deste “milagre” não havia nenhuma academia de artes. Apenas uma psiquiatra, ridicularizada por seus colegas. Os artistas eram esquizofrênicos pobres, internados, alguns há várias décadas, abandonados por suas famílias e desenganados pelos médicos.

“A experiência no atelier de pintura do hospital psiquiátrico decerto confirmou o recuo diante da realidade externa vivenciada ameaçadoramente, assim como o medo da realidade interna, talvez ainda mais perigosa”. Declara Nise em um dos seus livros.

“Uma das funções mais poderosas da arte – descoberta da psicologia moderna – é a revelação do inconsciente, e este é tão misterioso no normal como no chamado anormal.” Expôs ao Correio da Manhã o jornalista Mario Pedrosa. Dotado de uma clara percepção esse iniciador da crítica de arte de moderna brasileira, revelou ao jornal aquilo que tanto tememos – a sutil linha existente entre a sanidade e loucura. Não será essa, então, a questão central que norteia a grande repulsa ainda existente na maioria das pessoas quando se deparam com um doente mental? O que nos olhos veem neles que reflete em nós?

Como os formatos em círculos eram frequentemente encontrados nas telas de pintura, Nise começou a suspeitar que aquelas formas, em múltiplas variações e irregularidades, eram na verdade mandalas. Inicia, então, seu contato com o grande psiquiatra e fundador da Psicologia Analítica Carl Gustav Jung, que constantemente acompanhou os trabalhos de alguns internos, apresentando seus feitos como um movimento da mente em função da compensação a situação de caos do consciente.  

Em dado momento da peça, Mariana pergunta à platéia sobre sonhos e nos coloca a pensar novamente sobre a questão abordada no parágrafo que antecede ao acima, na medida em que somos levados ao questionar a cerca da diferença entre o sonhar noturno e os diários vividos nas crises da esquizofrenia.

Claramente envolvida, repleta de muita entrega, dedicação e empenho, Mariana dança, canta e encanta. Para mim ficou claro desde o início que essa atuação lhe caiu perfeitamente bem, porém, somente após algumas buscas pude entender que a frase constantemente repetida pelo “inconsciente” na peça: “Vai Mariana! Pega o cajado,legado de seu pai e dá vez à voz do coração..do coração...do coração.”, era por conta de Mariana ser filha de um psiquiatra italiano que manteve relações pessoais e profissionais com Nise, através da luta por uma psiquiatria mais humanitária.

“A peça e a vida de Nise tem uma relação simbólica com a história de vida da Mariana, tinha que ser ela. Foi um conjunto de coincidências”, declarou o diretor Daniel Lobo a uma revista, acrescentando o fato de a atriz ter nascido em 31 de outubro, portanto, Dia das Bruxas, e o dia do falecimento da renomada psiquiatra.

 E, entre as suas coincidências, a frase final de um arquétipo da atriz com a máscara da bruxa, integrada ao espetáculo: “Quando se morre, se abandona tudo o que existe. A rua que se conhece e aquela que não se conhece. Tudo o que se possui e o que não se possui, só assim podemos renascer em vida. Nascer transformando e sendo transformados.”

A peça que está em cartaz no teatro Eva Herz, dentro da Livraria Cultura em SP segue até o final de Março. Recomendado a todos que buscam deleites aos olhos e ao coração.

E como diria Nise: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata.”

sábado, 18 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

a caixinha mais REluzente de todas.

É tudo dentro da gente...
Está tudo dentro da gente!
Os segredos, a cura, as descobertas, os caminhos, as escolhas, os milagres, remédios, as saídas, as transformações.
Os medos, as doenças, os monstros, a inveja, as inseguranças, os apegos, os vazios, as perdas.
Então, como olhar para tudo isto?

VIVENDO!
Vivendo atentos aos sinais e movimentos da vida, dos outros e de si mesmo.
OLHANDO!
Olhando, cuidando, sentindo e respeitando o processo do outro como se fosse nosso. E acolhendo nosso próprio processo como se acolhêssemos uma criança carente que nos pede ajuda e estímulo.
Pois estas ligações espelham quem “SOMOS”.
E neste cenário natural da vida, somos todos “UM”... vivendo parecidos e paralelos processos.

É DENTRO DA GENTE que se encontram os tantos possíveis caminhos. É dentro da gente que a luz pode acender ou apagar suas generosas possibilidades.
É DENTRO DA GENTE que encontramos ressonâncias para o amor, a amizade, o respeito, o cuidado, a transformação... assim como para todas as sombras que acompanham a humanidade.
É DENTRO DA GENTE que existem as estradas mais arriscadas, tenebrosas e perigosas, mas também é onde estão escondidos os maiores tesouros e milagres que ainda acreditamos estarem guardados tão longe de nós.
(Mônica Guttmann)