terça-feira, 30 de abril de 2013

REmodelar-se a Matrix.


Na primeira cena deste vídeo, o meu filme predileto é mostrado. "Na natureza selvagem" é o nome dele, e nele o personagem principal (extraído de uma história real) questiona a vida que lhe foi apresentada desde o seu nascimento. 
Vindo de uma família burguesa dos EUA, ele ao se formar em uma grande Universidade segue rumo a maior aventura de sua vida. Uma viagem ao Alasca.
Escolhi esse vídeo por juntar essa cena com o diálogo do filme "Matrix", justamente por ambos abrangerem o mesmo tópico. Aqui as cenas vão se alternando no intuito de reforçarem o sentido do diálogo.

"Sentiste-o durante toda a tua vida de que há qualquer coisa errada com o mundo. Tu não sabes o que é, mas está aí, como uma farpa na tua mente que te enlouquece.
Sabes do que estou a falar?
A Matrix está em todo o lado. Está a nossa volta. Até neste momento, nesta mesma sala.
Tu podes vê-la quando olhas pela tua janela ou quando ligas a tua televisão.
Podes senti-la quando vais trabalhar, quando vais à Igreja, quando pagas os teus impostos.
Este é o mundo que nos foi colocado à frente dos olhos para nos cegar para a verdade. 
Que verdade?
De que és um escravo Neo. Tal como todos, nasceste na escravatura. E nascido numa prisão que não consegues cheirar, saborear ou tocar. Uma prisão para a tua mente.
Uma prisão para a tua mente. Este é o teu Deus.
Lá dentro, bem no fundo, sempre soubestes a verdade.
De que nada disto tem que ser assim.
De que há mais para a vido do que nos foi dito.
De que tua vida tem um propósito maior. Tu estais aqui para despertar"

(Diálogo principal no encontro entre "Neo" (Keanu Reeves) e Morpheus (Larence Fishburne))

Veja além caros irmãos.
Há muito mais que seus olhos podem ver!

(Dedicado as lindas almas - Mariana Barros e Paulo Ferreira)

terça-feira, 23 de abril de 2013

o que REalmente acabou?


É esperado que nenhum psicólogo pretenda incentivar um casal a se separar, até porque essa não é nossa função, porém existem casos em que os conflitos e prejuízos são tamanhos que tornam essa a solução mais adequada. Nas linhas abaixo irei expor um pouco sobre o fim do casamento e alguns pontos a serem considerados ao tomar essa decisão.






Como saber se o divórcio é a melhor solução?

Dos variados problemas que afetam a vida conjugal, destaca-se, a precariedade do vínculo afetivo. Ele nasce na formação da personalidade, na infância. Caso a pessoa não tenha formado um grau satisfatório de vínculo com os responsáveis por sua criação, encontrará dificuldades nas relações que sucederão. Por força do encanto exercido no período de namoro entre duas pessoas, vários comportamentos ficam ocultos. Frases como: “Você não era assim quando lhe conheci”; “Gostaria que você voltasse a ser como era antes”, “Ah, como era bom nosso namoro”, são muito frequentes. Mas o que de fato mudou?

Será que realmente foi o outro que mudou ou apenas as expectativas envolvidas no encontro do casal que começam a “cair por terra”?

Nas relações humanas, sobretudo na vida conjugal, observam-se comportamentos variados. Inicialmente, evidencia-se o poder do envolvimento e o êxtase exercido pela atração das partes que se conhecem. Conforme Moraes (2003), escolhemos os nossos pares pelo comportamento aparente. E, aquilo que queremos para nós depositamos nesse outro, em algo que tecnicamente chamados de “projeção”. Durante o período de namoro não nos permitimos ver ou realmente não conseguimos de fato perceber o que esse “outro é”, Com a chegada da rotina no relacionamento, as máscaras começam a cair e torna-se possível conhecer a pessoa como ela é de verdade. Então, começam a surgir os problemas e é justamente nesse instante que muitos casais buscam por uma ajuda.
É muito difícil ter certeza de que um casamento não tem mais solução, isso porque, ao longo de qualquer vida conjugal, inúmeros conflitos acontecem e são, de algum jeito, solucionados, por isso é difícil ter a certeza de que se essa é apenas mais uma crise, ou se será o "início" do fim da união.
O divórcio torna-se a saída mais evidente quando, pelo menos, um dos cônjuges passou a acreditar que não vale mais a pena investir no casamento.
Cumplicidade é a capacidade de duas pessoas se comunicarem, fazer planos juntos e de se co-ajudarem. Sem cumplicidade os casais podem até viver juntos, mas essa “parceria” estará fortemente abalada.
Os excessos de brigas apresentam-se como o índice mais claro do final de um relacionamento,  os cônjuges afastam-se e, em consequência dessa ausência, surgem fatores como o problemas de ordens sexuais (perda da libido, impotência,vaginismo, dentre outros),  desrespeito, desinteresse, falta de cooperação, traição e, por vezes, a violência.
Existem também casos em que um dos indivíduos alega não querer o divórcio por ainda amar o outro. Mas aí entramos em duas questões interessantes: O amor verdadeiro pode ser visto dessa maneira em que a vontade do outro não tem importância? Será que realmente esse sentimento pode ser chamado de amor ou será posse? 

Quando o divórcio não é a saída

Antes de decidir se a separação é ou não a solução seria interessante considerar alguns fatos:
De onde vem essa crise? Alguns especialistas orientam que, antes de se tomar qualquer decisão relativa ao divórcio, se faz necessária a reflexão: se a crise está realmente no casamento ou se ela é pessoal. Questões como essas a seguir pode ajudar bastante na obtenção de algumas respostas e orientações: "Será que o meu casamento não está bem ou sou quem não está se sentindo bem?"

Príncipe ou sapo?

Conforme já escrito acima, tanto o homem quanto a mulher projetam no seu parceiro um ideal amoroso. Todo mundo deseja se casar com um príncipe ou princesa. Espera-se, inclusive, que esse outro seja perfeito e que esteja sempre disponível para realizar as nossas necessidades. Queremos que esse outro seja perfeito, mas a realidade é que contos de fadas são vividos por criações da mente humana, porém a verdade é que não existe ninguém que consiga alcançar esse ideal de perfeição, nem mesmo aquele que o exige.
Quando o cônjuge  demonstra que não é aquele que esperamos, ele passa a ser o reverso da idealização, ou seja, se você não é princesa (ou príncipe) então se torna um dragão. Nessa situação o divorcio não é a melhor solução, pois, caso não haja o devido reconhecimento, a mesma história irá se repetir com todas as pessoas que você vier a se relacionar. E nesse caso, é você quem precisa amadurecer como indivíduo, a fim de não reproduzir o mesmo padrão de escolha. Afinal, como já dizia Jung: “O que mais tememos, nos encontra no meio do caminho”.

O divórcio tem seu preço?

Sim! O divórcio também tem seu custo, a tarifa de descasar é abrir mão de praticamente tudo o que foi construído com o casamento: impacto na criação dos filhos, abalo na cumplicidade, amizade, segurança, questões financeiras, aprovação social, entre outros. É claro que muitos casais passam a ser grandes amigos, após o término, porém as questões acima devem ser consideradas e ”colocadas na balança” no momento da decisão. Se caso acredite que esse preço é alto demais, o divórcio não é a solução para o seu problema. E sendo assim, ainda há o que se fazer. E esse é justamente o papel da terapia de casal, ou seja, propiciar um espaço para o casal identificar possíveis falhas, recuperar assuntos perdidos, por entre a rotina familiar, na infância pessoal de cada um, reconhecimento de projeções fixadas nos pais e direcionadas ao parceiros, dentre outros.

E, por fim, devo salientar que, se nem Platão conseguiu desvendar os mistérios do amor, nós, meros "estudiosos mortais", devemos com muita cautela analisar caso a caso e, acima de tudo, respeitar as individualidades de cada um, a fim de não desperdiçar a belíssima oportunidade da recriação pessoal que todo casamento pode trazer.