Se prestássemos mais atenção em vários momentos da vida, seríamos levados a pensar sobre a necessidade de ter com quem dividir alguns dos sentimentos e emoções como forma de trabalhá-los, amadurecê-los ou vencê-los. Certa vez fiz uma pesquisa questionando algumas pessoas o que as levaria procurar pela terapia. Encontrei as mais variáveis respostas, porém duas palavras foram as mais usadas: ajuda e busca.
As respostas mais freqüentes foram aquelas que diziam respeito ao autoconhecimento, auto-estima, auxílio nas tomadas de decisões, mudança de ciclos do desenvolvimento, como adolescência, menopausa, terceira idade, dificuldades em diferentes âmbitos da vida (familiares, profissionais, pessoais), mas apareceram também controle de fobias, estresse pós-traumático e lutos. Chegando a casos mais sérios como transtornos alimentares, de humor, personalidade, dentre outros.
Como podemos ver, os motivos são os mais variados possíveis. Seja qual for sua motivação, o caminho encontrado para o processo terapêutico se dará a partir do encontro entre analista e paciente, sendo determinado a partir de cada caso. Não seria uma colocação errônea afirmar que apesar de seguirmos um sério método de trabalho, sendo fortemente guiados por uma teoria, uma análise apurada se faz necessária por parte do terapeuta frente a cada paciente. Afinal, cada ser humano, apesar de todas as semelhanças, é um ser individual e único. Sendo assim: como poderemos seguir padrões rígidos de uma teoria?
É muito importante que haja uma boa sintonia dentre os dois envolvidos, pois o processo analítico demanda confiança, dedicação, respeito e muito esforço dos dois lados. Somente através dessas variáveis é que esses dois protagonistas não chegarão a conclusões precipitadas, podendo assim encontrar juntos melhores respostas ao promissor desenvolvimento daquilo que cada indivíduo veio potencialmente disposto a ser.
Muitas pessoas chegam a se questionar se não poderiam ser ajudadas em suas buscas por um amigo íntimo, familiar ou qualquer outra pessoa próxima. Porém, ao lidarmos com a mente humana, estaremos expostos a camadas ocultas de nossa personalidade e, com isso, padrões de comportamento conscientes e inconscientes serão revistos, comprometendo a imparcialidade na escuta. Sendo assim, uma conduta profissional se faz necessária. Mesmo porque, muitas vezes, passaram-se anos e anos para a formação de determinado comportamento. Como poderemos pretender que esses sejam re-significados de maneira rápida e corriqueira?
O profissional de Psicologia possui formas criativas para propor aos seus pacientes reflexões sobre possíveis mudanças, reconhecimentos, diferenciações de comportamentos e isso será certamente realizado a partir dessa relação profissional.
Diagnósticos são importantes para nortear alguns entendimentos, porém, o que fará realmente sentido ao processo é a atenção à história individual de cada paciente. A partir disso, a função mais importante do analista é procurar meios para compreender o que se passa com cada pessoa que se apresenta a ele. Sonhos serão analisados, a fim de encontramos significados antes não pensados, além de técnicas para estimular a ampliação da consciência.
Você já se perguntou quantos talentos possui dentro de si sem sequer tomar conhecimento? Quantas vezes após o passar de algum tempo você não se pegou surpreso por alguma conduta? E mais: quantas vezes você julgou-se incapaz de algo que após alguns anos conseguiu realizar? Pois então, o trabalho de reconhecimento envolve tempo e muitas vezes é árduo, porém pode ser por demais gratificante transcender aquilo que um dia fomos levados a crer pelo coletivo ou por nossas crenças sobre aquilo que éramos capazes de fazer ou ser.
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