terça-feira, 15 de novembro de 2011

A primeira sessão - O possível início da REscrita.


Uma palavra para esse post: expectativa.

De ambos os lados, há muito desse ingrediente. Do lado do paciente existe um forte imaginário, favorecido por inúmeras crenças populares e paradigmas. Tais como: Identificarei-me com essa pessoa? Conseguirei abrir minhas particularidades a alguém que sequer conheço? Irei superar rapidamente tal sintoma que tanto me desagrada? Poderei falar tudo o que eu penso e que já fiz ou serei julgado por isso? É realmente necessário procurar esse profissional? Serei capaz de arcar financeiramente e pessoalmente com esse trabalho?

Do nosso lado, apesar do tempo de formação e experiência adquirida ao longo dos anos, parece que sempre existirá a ansiedade frente a esse novo ser que se apresenta. Nós, terapeutas, mesmo fazendo uso da adequada persona (máscara, em grego) de estudantes da mente humana, ainda sim, temos nossas angústias, dúvidas e anseios profissionais. Talvez isso seja favorecido por atuarmos em uma profissão altamente solitária ou apenas por sermos também seres humanos. Independentemente do motivo, da mesma forma que acontece na vida, no processo de análise não sabemos onde este irá chegar, mas é aí que está a grande magia do processo, pois este, diariamente, sessão após sessão irá, se desvelar.

Normalmente pelas neuroses ou alguma outra patologia, nos vemos fechados cada vez mais em nossos mundos e esses, apesar de confusos e doloridos, representam o local mais seguro que se pode estar. Com isso, a possibilidade do processo terapêutico representa o fato desse indivíduo não estar mais só.

Quando por algum motivo algo nos faz parar, permitindo o movimento de encontro com o outro, deixando assim que as palavras falem ou silenciem, percebemos que começamos a transformar algumas energias e criamos assim um ambiente de re-significação e cura.

Tal como acontecia na Idade Média, a Alquimia que dentre outros objetivos, visava à transmutação de alguns metais inferiores em ouro. Nesse encontro vários elementos se misturarão, lidaremos com as polaridades entre alegria-tristeza, amor-ódio, coragem-medo, dúvida-certeza, visão-desilusão e muitos outros. E como a vida não segue um movimento linear e racional que possa ser controlado e planejado, desejos variados ocorrerão e isso é perfeitamente normal, pois o indivíduo sente a necessidade de prever, planejar, organizar, porque seu ego precisa de tudo isso para sentir-se com o controle em suas mãos. Mas o dia-a-dia e todas as vivências podem nos surpreender, pois estamos inseridos em um espaço muito maior do que aqueles que nossos pequeninos olhos conseguem captar.

No laboratório os cientistas, médicos, bioquímicos, e outros se propõem a criar e a re-inventar. Nós, psicólogos, nos propomos muitas vezes a “acelerar” aquilo que a natureza demoraria ou nem chegaria a fazer.

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