Para mim, a grande magia do cinema é conseguir expor os expectadores a diferentes emoções em um curto espaço de tempo. É como se, por algumas horas, pudéssemos sair dessa realidade e experimentar sentimentos que, em outros momentos, continuariam guardados dentro de nossas “caixinhas” internas.
Ao assistir o bem feito “A fonte das mulheres”, do mesmo diretor de “O concerto”, vi-me cercada por diferentes emoções e mesmo que a mais freqüente tenha sido a raiva por todos aqueles que se negavam a aceitar a quebra de uma tradição milenar, por outro lado questionei-me sobre de onde vem todos aqueles reforços que nós, mulheres ajudamos a construir, dia após dia, na mente do diferente sexo?
Desde que o mundo é mundo, as mulheres usam de sua inteligência, talentos, sutileza e encantos para conseguirem seus espaços, mas penso que algumas ainda se aproveitam, além da conta, de todos esses ingredientes que, de maneira inconsciente ou não, reforçam os pensamentos machistas de que ainda somos rodeados.
Como gerar e cobrar mudanças se nós, mulheres, não nos apropriamos de nossos direitos e deveres?
Espero não me soar moralista, pois, na verdade, o que sinto ao escrever essas palavras é um profundo sentimento de nostalgia por um tempo que não vivi, mas que ouço nas músicas de Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e muitos outros. Ali, as mulheres ainda são chamadas de “Pequenas”. E mesmo que alguns falem que essa maneira nos coloca no diminutivo da vida, penso que esses homens se referiam, na verdade, à sutileza, sensibilidade, doçura e principalmente à força, que ainda se encontram, mesmo que muitas vezes escondidas, nos olhos de cada mulher.
Termino esse post com um trecho que extraí do filme:
“Não se deve admitir a derrota
O infinitivamente pequeno pode crescer
Às vezes tão majestosamente do que tudo que parece grande
A água, o frescor, a vida, mesmo o amor podem irromper a qualquer momento.”

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